A antítese da Preservação de local de crime

LIMPAMOS O QUE OUTROS NÃO DEVEM, NÃO PODEM OU NÃO QUEREM FAZER” – O TRABALHO E DOS PROFISSIONAIS DE LIMPEZA DE CENAS DE CRIME, TRAUMAS E ACUMULAÇÃO COMPULSIVA.

Atirei bem no meio do peito dele, esvaziando os dois canos, aquele tremendo trovão. O impacto jogou o cara com força contra a parede. Ele foi escorregando lentamente e ficou sentado no chão. No peito dele tinha um buraco que dava para colocar um panetone.

Viu, não grudou o cara na parede, porra nenhuma.

Tem que ser na madeira, numa porta. Parede não dá, Zequinha disse.

Os caras deitados no chão estavam de olhos fechados, nem se mexiam. Não se ouvia nada, a não ser os arrotos do Pereba.

Você aí, levante-se, disse Zequinha. O sacana tinha escolhido um cara magrinho, de cabelos compridos.

Por favor, o sujeito disse, bem baixinho. Fica de costas para a parede, disse Zequinha.
Carreguei os dois canos da doze. Atira você, o coice dela machucou o meu ombro. Apóia bem a culatra senão ela te quebra a clavícula.

Vê como esse vai grudar. Zequinha atirou. O cara voou, os pés saíram do chão, foi bonito, como se ele tivesse dado um salto para trás. Bateu com estrondo na porta e ficou ali grudado. Foi pouco tempo, mas o corpo do cara ficou preso pelo chumbo grosso na madeira. (Trecho de “Feliz Ano Novo”, conto de Rubem Fonseca)

O conto que abre essa matéria é considerado um dos contos mais chocantes da literatura nacional por conta violência narrativa. A história gira em torno de um latrocínio numa área nobre do Rio de Janeiro, cometido por três jovens. Uma das crueldades cometidas pelos personagens, são os tiros de .12, que segundo os personagens, são capazes de grudar o corpo nas paredes. Lembro-me que uma vez, caminhando com um amigo em Porto Alegre, estávamos falando justamente da violência o cenário “sujo” do conto. Quando eu li este conto, anos atrás, comecei a me perguntar: “quem limpa essa sujeira”? Na mesma época, eu encontrei uma reportagem muito interessante da Folha de São Paulo, datada de 2010, que mostra que a limpeza de cenas de crime virou fonte de renda em uma das cidades mais violentas do mundo na época, Ciudad Juarez. Na reportagem, por conta dos 273 homicídios à cada 100 mil habitantes, número que ultrapassava índices de cidades em guerra no Afeganistão, mostra como as pessoas que trabalhavam em limpezas de hotéis e casas, fizeram da raspagem de massa encefálica de paredes e tetos uma fonte de renda, ainda que pequena. Hoje, felizmente Ciudad Juarez é exemplo de como diminuir os índices de violência utilizando-se de valorização de policiais, combate à corrupção, ações sociais e uso de estratégias de inteligência. Hoje, a cidade está com um índice de 44 homicídios a cada 100 mil habitantes e já chegou a ter 19 a cada 100. De acordo com a reportagem da Folha, as empresas de limpeza tradicional passaram a cobrar de 200 a 300 dólares para limpar uma cena de massacre “dantesca”.

Pensando na cena absurda da chacina retratada no famoso conto de Rubem Fonseca, como seria os eventos após o crime? Quais seriam as atividades exercidas por policiais, investigadores e demais profissionais? A cena seria investigada, com a avaliação das vítimas, do local, do delito. Seriam recolhidos os vestígios, que será encaminhado por uma série de exames a fim de constatar um laudo. Após as investigações do local, os corpos das vítimas seriam recolhidos pelo rabecão do IML e a cena liberada. Quando isso acontece, o sangue, a massa encefálica, fragmentos de ossos e toda sorte de resíduos corporais permanece na casa. Quem limpa essa sujeira toda? À grosso modo, a família das vítimas são as responsáveis por realizar a limpeza. Imaginem só que situação traumática. Uma vez, ouvi um relato em uma conversa descompromissada de bar, que um conhecido de um amigo passou horas limpando resto de sangue e massa encefálica do próprio pai, que se matou com um tirou. Além de questões de aspecto psicológico, por se tratar de locais de alto risco biológico, todo cuidado é pouco. Nesses locais pode ter muitos microrganismos de alto grau de patogenicidade, que transmitem doenças como tuberculose, AIDS, hepatite. Produtos que utilizamos em casa, no nosso dia a dia também não são suficientes para eliminar a contaminação e os odores que são deixados no local.

Para falar sobre esse tipo de serviço, entrevistei dois profissionais da área, Sérgio Mulet, da Biodecon, empresa brasileira de desinfecção e limpeza especializada, localizada em São Paulo e Pedro de Viterbo Badoni, fundador da Deathclean, uma empresa de Portugal, referência mundial em limpeza de locais com alto risco biológico. Os dois, Pedro e Sérgio são amigos de longa data, inclusive, foi com a Deathclean que Sérgio aprimorou e implantou sua empresa em São Paulo. Existe uma associação chamada A.B.R.A (American Biorecovery Association), que reúne empresas de excelência na área de limpeza especializada de alto risco que certifica profissionais nesta área.

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Cena de trauma sendo devidamente desinfectada

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A Biodecon surgiu após Sérgio que tem experiência profissional de mais de 15 anos em desinfecção hospitalar, estava se preparando para abrir uma empresa especializada para prestar serviços de desinfecção em ambientes hospitalares. Foi neste momento que ele conheceu a Deathclean, em Portugal. Ele observou que no Brasil não existia uma empresa séria que oferecesse esse tipo de serviço voltado à locais de crime. A Deathclean surgiu em 2008, com uma forte ligação à área da Proteção Civil e Socorro de Portugal. Foi após assistir ao filme “Cleaner” (Evidências de um crime), ao qual o ator Samuel L. Jackson interpreta o policial aposentado Tom Cutler, que atua como profissional na limpeza de locais de crime e trauma, que Pedro sentiu a necessidade de que fosse criada uma empresa que realizasse este tipo de serviço especializado. A Deathclean foi a empresa pioneira no ramo e uma das primeiras da Europa.

QUERO TRABALHAR COM ISSO! COMO FAZ?

 A contratação de técnicos não é algo fácil. Ambas as empresas não exigem uma formação prévia na área. O que eles precisam? APTIDÃO

“Não serve qualquer pessoa para este trabalho. Muitos dizem que nunca na vida poderiam fazer um trabalho como esse, que é considerado para alguns como “o pior trabalho de todos, um show de horrores”, mas para outros é um desafio, chegar em um local de alto risco biológico e transformar o local, deixando-o como se nada tivesse acontecido ali, evitando que a família tenha de fazer. Após um acontecimento traumático, a última coisa que eles precisam, é ser eles mesmos tenham de limpar os restos de seus entes queridos. Todos nós, após um trabalho difícil sentimos orgulho e satisfação muito grande de poder entregar um lugar limpo e seguro, portanto, quando procuro alguém para compor a minha equipe, devo enxergar nelas que elas são capazes e tem coragem, que não vão se amedrontar, que possuem vocação e vontade de servir e ajudar os outros, não estão ali apenas por dinheiro. Quem quer realizar esse serviço apenas motivado pelo dinheiro, não me serve. Eu dou todo do treinamento necessário, ensino tudo o que sei” – Sérgio Mulet, Biodecon

“Na verdade, não exigimos nenhuma formação prévia na área, mas sim aptidão para lidar com situações delicadas e sensíveis, trabalho em equipa e liderança, bem como a facilidade no uso de ferramentas diversas. A robustez física também é um fator importante. Não importa ter um grau acadêmico, mas sim estar à altura do “desafio”, pois trabalhar em locais de risco é algo muito delicado e perigoso, que influencia psicologicamente qualquer técnico.” – Pedro de Viterbo, Deathclean

Em ambas as empresas, os funcionários são tutorados pelos fundadores para exercer o trabalho e são inseridos aos poucos nas limpezas mais pesadas. É necessário ir treinando aos poucos os funcionários, antes de colocá-los para limpar uma cena de chacina, por exemplo.

“Uma pessoa que trabalha na Biodecon começa primeiramente como auxiliar técnico e não mexe com sangue diretamente, nem em casos complexos. Após um tempo de adaptação, o funcionário começa a se preparar para trabalhar como técnico, passando à atuar em intervenções mais complexas. Depois de técnico, pode chegar a ser supervisor, gerenciando o serviço e dando as instruções de procedimento aos técnicos e orientando todos os protocolos de segurança. Pessoas que tenham experiência em situações que envolvam sangue e demais resíduos (bombeiros, enfermeiros, paramédicos), em teoria podem ser mais idôneos, mas não por isso excluem outras pessoas. Em questões de gênero, tanto homens quanto mulheres podem exercer a função. No meu time, temos homens e mulheres atuando.” – Sérgio Mulet, Biodecon

EPIs utilizados, manejo de resíduos de alto risco biológico, casos mais comuns e etapas da limpeza

Os serviços que mais a Biodecon tem demanda são locais de morte que envolve muitos dias de decomposição do corpo e acumuladores compulsivos.  Os corpos em decomposição podem resultar de homicídio, suicídio ou morte natural,

Nos casos de morte suspeita envolvendo decomposição cadavérica, especialmente na época do verão, envolve vários fatores, tais como temperatura alta, umidade, presença de insetos. Quanto mais tempo decorrer até o corpo ser encontrado, maior o estrago no local. Muitas pessoas não sabem que o chorume da decomposição, aquele líquido que sai do corpo, penetra por todo local e é sugado pelas paredes. Ele é sugado e penetra, infiltrando-se dentro do piso, destruindo e contaminando tudo o que ele toca. O odor da putrefação impregna todo o ambiente e ninguém quer entrar no local. Aí somos chamados. Importante salientar que mesmo após limpar o local, o odor continuará lá, pois penetra nos poros de todas as paredes, móveis… É necessário utilizar equipamentos específicos para retirar o odor. No caso de acumuladores compulsivos, pode ou não ter morte envolvida, pois geralmente os acumuladores moram sozinhos e acabam falecendo em sua moradia. Dado ao grande volume de lixo, coisas acumuladas e odores, também não é fácil realizar a remoção, limpeza e desinfecção. Alguns casos de acumuladores compulsivos são os que tem custo mais elevado e demora muitos dias para ser realizados” Sérgio Mulet, Biodecon

Retirada de colchão infectado, levando-o  para incineração#biodecon #desinfecção #acumuladorescompulsivos
Retirada de colchão de acumulador compulsivo

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@deathclean – Decomposição humana ☠️ com 15 dias, já em avançado estado 🤢. Fotografias antes e depois da nossa especializada intervenção 😷. Todos os resíduos contaminados de risco biológico ☣️ foram encaminhados para um Operador de Gestão de Resíduos Perigosos, respeitando assim a legislação em vigor no nosso país. É proibida e ilegal ⛔️ a colocação de resíduos contaminados nos contentores de lixo comum. A @deathclean é a única empresa nacional que cumpre com a lei em vigor! Before & After pictures from a human decomposition #deathclean #deathcleanup #decomposicao #decomposition #limpeza #cleanup #biohazard #riscobiologico #ctsdecon #morte #death #portugal #trauma #odor #mauodor #forense #insalubridade #lixo

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Em Portugal, a Deathclean também atende em sua maioria, locais de morte. Locais que envolvem decomposição cadavérica ocorre com frequência. Casos de suicídio ocorrem em sua maioria através de armas de fogo. Homicídios em Portugal possuem índices baixos, por isso a Deathclean atende mais locais de morte em decorrência acidentes de trabalho e insalubridade.

“Sobre a questão de EPIs, é obrigatório o uso destes no ato de recolha de resíduos de risco biológico. Utilizam roupas de proteção total, proteção respiratória de acordo com o ambiente. Os pés e mãos deverão estar protegidos, assim como os olhos. Todos os resíduos são acondicionados em contentores e posteriormente entregues por alguém responsável em realizar a gestão desses resíduos para que seja incinerado ou autoclavado, obedecendo a legislação de Portugal.” Pedro de Viterbo, Deathclean

No Brasil, a Biodecon segue as normas da legislação, seguindo a resolução da ANVISA N.222. Utiliza um plano de resíduos de saúde e possui cadastro na AMLURB (Autoridade Municipal de Limpeza Urbano), responsável pela gestão de resíduos e limpeza urbana da cidade de São Paulo.

  “Detemos contrato vigente com operador licenciado para recepção, transporte e destino para incineração ou autoclavagem de resíduo infectante. Os resíduos são acondicionados em uma sacola branca que vai para dentro de uma barricada completamente lacrada e etiquetada com o símbolo de resíduo biológico infectante. Nosso operador logístico retira e incinera, emitindo um laudo de destinação final dos resíduos cuja cópia é entregue ao cliente. Há uma exigência legal e infelizmente nem todas as empresas seguem. Muitas pessoas que limpam cenas de decomposição por exemplo, não estão cientes do problema e responsabilidade dos resíduos biológicos considerados infectantes. Quando um acontecimento traumático ocorre e você é contratado para realizar o serviço de limpeza e desinfecção, a empresa passa a ser responsável. Não pode remover um colchão cheio de sangue proveniente de um falecido e simplesmente largar em um Ecoponto!” – Sérgio Mulet, Biodecon

Os produtos são selecionados em função da necessidade de cada intervenção, em geral, utiliza-se vários tipos de desinfetante. Os macacões de proteção são selecionados também de acordo com o tipo de intervenção. Oferecem proteção química e biológica nas operações, através de uso de filtros e fibras de polietileno de alta densidade. O uso deste material pela Biodecon está de acordo com a norma européia EN 14126, pois no Brasil não temos legislação específica. Os materiais utilizados são de uso profissional e de acesso restrito. Cada material pode ser específico para cada situação. Os produtos no Brasil, principalmente os de limpeza são nacionais, pois a importação envolve muitas burocracias.

Em Portugal, a Deathclean adquire os produtos e equipamentos dos Estados Unidos, pois na Europa muito pouca coisa se consegue.

“Alguns só os profissionais os podem comprar, como em muitos outros setores, existem produtos que são de uso restrito devido à sua composição química, que o normal consumidor não os consegue adquirir num supermercado. É muito complicado, neste setor, adquirir material ou produtos, a não ser que sejam importados, com custos elevadíssimos.” – Pedro de Viterbo, Deathclean

Em tempos de pandemia, foi escancarado que necessitamos de uma legislação. Muitas empresas que se dizem especializadas em limpeza de risco biológico surgiram e não seguem os protocolos adequados, colocando a vida das pessoas em risco, sem nenhum preparo, sem técnica, sem produtos e EPIs adequados para realizar esse tipo de procedimento.

Surgiram empresas sem nenhum preparo para realizar desinfecções, usam equipamentos que são usados para aplicação de agrotóxicos e utilizam desinfetante sem que ninguém saiba ao certo o que estão utilizando, e realizando a aplicação de maneira errônea. Na desinfecção, toda superfície deve ser pulverizada, senão não adianta nada. Na Biodecon utilizamos um equipamento profissional de desinfecção que usa de pulverização eletrostática, garantindo que toda superfície tenha uma camada fina de desinfetante.”

Tanto no Brasil quanto em Portugal não há uma lei que imponha que para locais de crime, acumulação e demais categorias que entram em risco biológico seja realizada por empresas certificadas. A limpeza de locais de crime que ocorrem em vias públicas não são realizadas por empresas certificadas.

“Aqui em Portugal, na via pública, por norma é tratada pelos Bombeiros locais, com recurso de lavagem de pavimentos e estradas, mas tudo é realizado sem o devido conhecimento, formação, equipamento e demais obrigações legais.” Pedro de Viterbo, Deathclean

“A limpeza especializada de lugares com risco biológico (sangue, fezes e demais fluídos biológicos) deveria ser realizado por empresas de limpeza especializadas e por técnicos preparados, entendendo plenamente os riscos, utilizando EPIs corretos e descartando o lixo infectante de forma correta. Infelizmente não existe legislação específica para isto no Brasil e muito menos para vias públicas, ao qual funcionários públicos sem preparo e sem conhecimento jogam água com uma mangueira espalhando sangue para todo lado. Estamos à anos luz dos Estados Unidos. Lá, empresas especializadas limpam locais de acidentes traumáticos, como por exemplo, suicidas que se jogam na frente de trens ou em ataques de atiradores em escolas.” – Sérgio Mulet, Biodecon

Sobre as etapas da limpeza, uma regra primordial é que sempre se começa de fora para dentro, para evitar contaminações cruzadas.

“Após a limpeza de sangue e mais fluidos biológicos, é verificado através de produtos específicos se ainda tem fluídos que não foram corretamente limpos e se realiza mais uma limpeza, procurando sangue em locais de difícil acesso, como por exemplo pisos de taco de madeira, que necessitam ser levantados para serem limpos. Depois, desinfetamos tudo com desinfetante hospitalar, que deverá ser aplicado em toda a superfície. Por último, desodoriza-se o ambiente e finalmente o familiar revisa e dá OK, dando sua aprovação assinando um formulário de satisfação.” –  Sérgio Mulet, Biodecon

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Desinfecção de cena de trauma

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“A maioria das situações são complexas, para as coisas mais simples não somos muito solicitados. Recordo-me de duas intervenções de limpeza e remoção de matéria biológica (fragmentos ósseos, tecido humano, fluidos corporais etc.) de duas aeronaves ligeiras (dois ocupantes) que caíram em pleno voo, ficando completamente despedaçadas e com os corpos no interior. Como ela necessita de perícias forenses, o nosso trabalho inicial é o de remover toda a matéria infeciosa, para tal é sempre necessário efetuar cortes estratégicos, identificar esses cortes, registo fotográfico constante e um trabalho muito minucioso e complexo, para não colocar em causa a posterior investigação. Algo muito moroso e com atenção ao pormenor.” – Pedro de Viterbo, Deathclean

“Tenho dois casos que na minha opinião foram os mais difíceis para a Biodecon. Um deles foi de um acumulador compulsivo grau 4 ( a escala vai até 5). O caso foi aqui em São Paulo, em um condomínio de alto padrão ao qual dentro do apartamento ao qual em pé, ficamos a meio metro acima do chão por causa da enorme quantidade de lixo. Foram necessárias 2 caçambas de entulho e uma caçamba gigante do tipo roll-on. Foram 3 dias de trabalho com 4 técnicos trabalhando sem parar. O outro caso envolveu local com grau elevado de decomposição cadavérica. Foi em Natal e o calor, umidade e tempo transcorrido desde que o corpo foi encontrado até a contratação de nossos serviços, decorreu 4 meses. A cena estava muito complicada e tinha restos de couro cabeludo grudados, A distância também não permitiu que tivéssemos todos os nossos equipamentos, mas afortunamente resolvemos e entregamos novamente o local.”

“TODO CONTATO DEIXA UMA MARCA”. O trabalho de limpeza de locais de crime e a polícia. 

O trabalho é realizado apenas quando a polícia libera o local. A primeira pergunta a ser realizada é se o corpo já foi retirado e caso exista alguma duvida ou indício de algo estranho que pode não ter sido detectado pela polícia, entram em contato diretamente com as autoridades policiais, para ter certeza absoluta que o local está de fato liberado.

“Também temos um formulário formal, que é preenchido antes de se proceder com a limpeza, que é devidamente assinado, autorizando a entrada pela pessoa responsável pela propriedade. Neste formulário consta os dados da pessoa e o que ela informou à nós, que a cena já foi liberada pela Polícia Civil e Polícia Científica. Este formulário fica em nossos registros.” –  Sérgio Mulet, Biodecon

“Em Portugal, após a investigação ao local e recolha do corpo, o espaço é libertado e entregue à família, só posteriormente é que podemos intervir. Não necessitamos de nenhuma autorização ou documento, pois o local está liberto, logo qualquer ação pode ser executada. A DEATHCLEAN, como empresa especializada e conhecedora dos procedimentos, é que contacta sempre a autoridade local a informar da intervenção e a obter informações sobre se o local está liberto pelas autoridades, uma ação que é unicamente executada pela nossa empresa, sem qualquer obrigação legal. Apenas em dois casos, em 12 anos de empresa, encontrámos dois, potenciais, vestígios no local. Espaço isolado e entidade policial contactada para o local. Procedem à recolha e os nossos trabalhos seguem de imediato. Por norma são coisas simples, mas que levantam suspeitas e em caso de dúvidas falamos sempre com a entidade responsável pela investigação. Acreditamos, pois, nós limpamos todos os vestígios, vamos até ao último pormenor, até à última gota de sangue. Nunca ninguém nos pediu para limpar vestígios de um caso que pretendiam encobrir, o que aliás seria difícil, dado que facilmente iriamos saber que algo estava errado. Mas após a nossa presença, todos os vestígios pertencem ao passado!” Pedro de Viterbo, Deathclean

DIVULGAÇÃO DO SERVIÇO, PARCERIAS. Como a oferta do serviço chega até o cliente final?

“É uma parte do negócio muito complicada. Imaginem que conseguimos alcançar metade da população Portuguesa, 5 milhões, em publicidade, pode até acontecer que esses 5 milhões nunca venham a necessitar do nosso particular serviço. É um serviço pontual e da ocasião, que ninguém vai guardar o nosso contacto a pensar que um dia vai necessitar. Temos de sensibilizar o cidadão para a necessidade de um tipo de serviço especializado a este nível e um dia, quando algo ocorrer, esperar que ele se recorde de nós. A maioria das pessoas procura na internet e teremos de ter a sorte de nos encontrar e ligar a solicitar o serviço. Não podemos oferecer algo que o consumidor não está a necessitar e nem quer um dia vir a necessitar!” – Pedro de Viterbo, Deathclean

“No início foi muito desafiador, pois partíamos de um problema importante de que no Brasil a maioria das pessoas desconhecem que perante essas situações deve-se ter um serviço especializado, para que nem a família, nem qualquer pessoa sem preparo devam limpar esse tipo de local. Primeiramente, criamos um website bem claro e informativo, bem posicionado nos buscadores. Fizemos muitas ações com condomínios, que ajudam a divulgar nossos serviços. Também somos bem atrativos nas nossas mídias sociais, fazemos algumas ações em delegacias, mas gostaríamos de nos manter mais ativos em ações com eles. No passado, tentamos algumas ações junto à funerárias, mas não tivemos sucesso. Eu estou sempre aberto em fazer parcerias que ajudem na divulgação de nossos serviços e isso inclui em palestras para órgãos policiais, para mostrar a importância de nossos serviços para a saúde pública e o bem estar das famílias envolvidas.” –  Sérgio Mulet, Biodecon

Abaixo, Sérgio Mulet e Pedro de Viterbo, da Deathclean na convenção da ABRA. Nós do Ciência Contra o Crime agradecemos o bate-papo e o tempo disponibilizado em falar sobre um assunto tão importante.

Referências:

Biodecon:

Site: https://www.biodecon.com.br/

Instagram: https://www.instagram.com/biodecon/

Facebook: https://www.facebook.com/biodeconbrasil/

Deathclean:

Site: https://www.deathclean.com/

Instagram: https://www.instagram.com/deathclean/

Facebook: https://www.facebook.com/deathclean/

“Feliz Ano Novo”, conto na íntegra –http://www.releituras.com/rfonseca_feliz.asp

Reportagem da Folha sobre o mercado de limpeza de locais de crime em Ciudad Juarez: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/783030-limpeza-de-cenas-de-crime-vira-negocio-em-ciudad-juarez-no-mexico.shtml

Como Ciudad Juarez diminuiu o índice de violência: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2018/04/cidade-que-ja-foi-mais-violenta-do-mundo-mostra-como-reduzir-mortes.html